quinta-feira, 2 de agosto de 2007

CD THE GYPSY ROAD A MUSICAL MIGRATION FROM INDIA TO SPAIN






CD THE GYPSY ROAD


A musical migration from Índia to Spain

MCD World Music sob lic da Alula Records

Mcd 061

1999

Pergunte a um grupo de viajantes sobre opções de roteiro de férias e provavelmente uma visita aos bairros ciganos não aparecerão no topo da lista. Mas o verão e outono de 1998 foi que o produtor deste disco decidiu fazer. De clubes noturnos a centros culturais e festivais de verão, ele vivenciou grandes momentos de tradições musicais vibrantes e descobriu que GYPSY ROAD é uma trilha que vai desde o Rajestão, no norte da Índia, até a Andaluzia no sul da Espanha. Através de toda a Ásia Central, Europa Oriental e ao longo do Mediterrâneo, os Roma (ciganos) têm suportado discriminação e rejeição social. Até o nome “GYPSY” algumas vezes é considerado pejorativo. Mas, desde que os Roma começaram sua migração mais de 1.000 anos atrás, eles causaram um impacto profundo na música do mundo todo.
Num primeiro momento, estilos diferentes como Flamenco espanhol, músicas búlgaras para casamentos e canções de amor do Rajestão têm pouco em comum. Língua, instrumentação e até crenças religiosas dos músicos que executam as peças são tão diferentes quanto a geografia da estrada cigana, mas , entre as canções existe uma serie de traços comuns. Através de suas jornadas, os Roma preservaram elementos da sua musica e língua, mesclando-os com as tradições locais. Embora eles sejam considerados como um povo exclusivamente nômade, os Roma se estabeleceram de forma permanente em comunidades através da Europa há mais de dois séculos. Esta incorporação de Roma e tradições locais criou um rico e variado repertorio musical, com raízes em elementos populares entre os Roma: improvisações vocais, mudanças rápidas de tempo, historia universais da vida nas estradas, tragédia de amor perdido e o sonho de uma era sem discriminação.
“você pode encontrar comunidades ciganas em cada país do planeta”, explica o violonista russo Oleg Ponomarev, do grupo Loyko. “E em cada lugar que você vai, a musica soa um pouco diferente. Na Hungria, ela soa como musica húngara e um pouco momo musica cigana. Na Turquia, ele soa um pouco como musica para dança do ventre e também um pouco como música cigana. Isto é universal, esteja você na Romênia, França, Índia ou Rússia. Quando nós juntamos em festivais, às vezes não podemos nos comunicar com facilidade, pois a língua dos Roma nessas terras distantes sofreu mudanças profundas. Mas por exemplo, as palavras para um, dois e três e os pronomes são ainda as mesmas, como na nossa musica folclórica. Canções como ”Jelem” são cantadas em todas as comunidades ciganas. Com os ciganos dos outros paises mais distantes, nós não podemos conversar um com os outros, mas nos comunicamos através da musica.”
A musica é importante na vida cigana. Na Europa Central e Oriental costumava-se dar violinos aos meninos ciganos logo que eles nascem e as meninas são treinadas para cantar e dançar logo que aprendem a andar. Da mesma forma os meninos ciganos tornam-se músicos profissionais em tenra idade, ganhando o sustento tocando em casamentos, festas, festivais e nas ruas por dinheiro. Por toda Europa você ouve historias de como os ciganos eram respeitados nos paises adotados como músicos de excelente qualidade, ainda que freqüentemente vitimas de descriminação e perseguição. Na Turquia, músicos ciganos eram convidados para tocar para a nobreza até o séc XV. Mas, no séc. seguinte, quando o Império Otomano alcançou o que ´hoje a Hungria, Romênia e Eslováquia, os ciganos enfrentaram suspeita de serem espiões turcos. Sob o Império Otomano, os Roma foram relegados aos mais baixo nível social.
Alguns dos piores relatos vieram da Moldavia, onde foi permitida a escravidão dos Roma até 1955. Uma das canções folclóricas daquela região “Mudarenas, Tut lê Rom” trata do período da escravidão, quando era permitido matar escravos ciganos. Mas na Rússia, embora freqüentemente relegados a status de segunda classe, os ciganos viram suas musicas honrada nos mais altos escalões do governo. Os coros ciganos oficiais datam do tempo de Catarina a Grande (1762-1796)
Por toda Europa do séc.XX os Roma foram submetidos a tratamento muito cruel. Durante a Segunda Guerra mundial, os nazistas recolheram os ciganos da Europa Central e Oriental com os judeus e muitas comunidades foram dizimadas. Com raras exceções como na Bulgária e Macedônia, onde estas populações foram protegidas, e na Hungria, onde a matança só começou no final da guerra, o resultado foi catastrófico com centenas de milhares de mortos em campos de concentração.
A música cigana tomou dois caminhos diferentes no ultimo século: um através da Europa Oriental e outro através da Ocidental. Ela também sofreu muitas transformações e revitalizações ao longo destes caminhos. Na Espanha, o pais da Europa Ocidental com a maior população cigana, o Flamenco (uma mistura de influencias Moura, Espanhola, Cigana e da antiga Pérsia) veio a ser reconhecido como a “música nacional” e muitos executores do Flamenco Cigano tocam para audiências entusiasmadas nas salas de concerto de maior prestigio na Espanha para não dizer nado do resto do mundo. Os ciganos na Espanha são conhecidos como Gitanos, não Roma, e n]ao falam a língua Roma mas espanhol e calo (um dialeto dos ciganos espanhóis). Nas ultimas duas décadas do séc. XX, as administrações dos departamentos culturais locais, regionais e centrais da Espanha, juntos com SGAE (Sociedade Espanhola dos Direitos Autorais) promoveram ativamente a musica Flamenca com a criação de numerosos festivais, concursos, como também subsidiando apresentações ao vivo e em discos. Quando o legendário cantor cigano Camarón de La Islã morrreu em 1992 a noticia apareceu na primeira pagina dos jornais do país e o jornal de Madrid “El País” (omaior jornal do país) dedicou quatro paginas para a noticia. Nas duas ultimas décadas, um novo estilo “Nuevo Flamenco” emergiu nos quais elementos do rock, jazz e até salsa foram acrescentados. Hoje em dia os grupos de Nuevo Flamenco, como por exemplo o Ketama, tem tanto sucesso que alcançaram o mesmo status de estrelas do rock.
Na França durante os anos 30, o guitarrista cigano Django Reinhardt e o violonista Stephane Grappelli, misturaram musica cigana com jazz criando o “Swing Cigano”. Tornou-se num instante mania em Paris e rapidamente espalhou-se pela Europa. No sul da França nos anos 80, o Gypsy Kings popularizaram outro gênero de musica cigana, a Rumba Espanhola Cigana, a qual acrescenta ,melodias espanholas e influencias do Caribe a estrutura Flamenco. A rumba cigana rapidamente tornou-se uma sensação por todo o mundo.
Para os Roma atrás da cortina de ferro, a era soviética foi um tempo onde a discrimanação aberta era rara. Sob o comunismo, educação e emprego eram universais. Para muitos Roma este emprego freqüentemente significava se forçado a viajar centenas de milhas por semanas a fio para trabalhar em fabricas ou minas. Uma rápida visita a família significava uma viagem longa e cara, mas as jornadas também eram apreciadas como momentos para tocar musica juntos. No bloco comunista, o estado controlava as companhias de discos e em muitos paises promoviam mais a musica clássica que a folclórica. Foi somente no começo dos anos 80 quando o selo estadual húngaro, Hungaraton, lançou um álbum do grupo,Kalyi Jaga, que a musica cigana foi gravada num estúdio moderno pela primeira vez. O álbum tornou-se um grande sucesso imediatamente vendendo sua primeira edição de 5.000 copias e gerando mais do que uma dúzia de novas edições pelos quinze anos seguintes.
Uma década atrás quando o muro de Berlim caiu, significando o fim do comunismo, rolhas de champagne voavam nos Estados Unidos e em muitas partes de Europa. Para as comunidades ciganas, entretanto, não havia muito motivo para celebração. A rede de segurança social estabelecida pelos primeiros satélites soviéticos reprimia os ódios raciais profundamente em grande parte da Europa. Agora tudo isto tinha mudado.
Embora não mais nômade, a população Roma de hoje enfrenta um ataque furioso de discriminação na educação, moradia e emprego. A musica alem de ser uma válvula de escape emocional, tornou-se uma das poucas rendas para centenas de família de músicos profissionais. Nesta compilação nos incluímos 14 dos melhores artistas Roma de todo o mundo. “THE GYPSY ROAD” não somente mostra exemplos desta vasta tradição como também é um mapa de volta ao Rajastão, o ponto de partida e a ligação que todos os ciganos partilham nas suas jornadas musicais de mais de 1.000 anos.


1 THIERRY ROBIN “PUNDELA” (FRANÇA)
Tradicional arranjo de Thierry Robin

Uma década atrás Thierry Robin teve um sonho: reunir num conjunto os maiores músicos do mundo para gravar um álbum dedicado a musica cigana do Rajastão até a Espanha. O conjutno de todas as estrelas ciganas foi formado em 1993. incluía o cantor flamenco Paco El Lobo e o guitarrista Joseph”Mambo” Saadna, o vocalista do RAjastão Gulabi Sapra e o percussionista Hameed Khan (do grupo Musafir e Transglobal Underground), François Castiello (do grupo Bratsch) no acordeão e Robin na oud (alaúde sem ornamento do orientemedio e do norte da África) e no violão. O resultado foi o álbum com o titulo de “Gitans” que não só foi cotado como um dos melhores álbuns do ano por críticos do mundo todo como também considerado um dos melhores álbuns de musica cigana já editado.

“Pundela” (traduzido do dialeto do Rajastão) é um hino cigano universal e pode ser ouvido em vilas Roma desde a Índia até a Europa Central. Robin e sua banda apresenta sua inesquecível versão:

Nós não queríamos que você fosse embora porque precisávamos de você,
Mas você não ouviu nosso conselho,
Agora você esta de volta, mas não mais viva,
Como posso continuar sem você?
Sinto saudades de você, Pundela minha querida.

2 KALYI JAG “LA RATJAKE CHEJA” (HUNGRIA)
Kalyi Jag

A Hungria tem uma tradição de musica clássica onde compositores como Bartok, Kodaly e Liszt, todos profundamente influenciados pela tradição folclórica, são ainda profundamente venerados. Liszt, na verdade, foi tão tocado pela musica cigana que ele via os Roma como criadores da musica nacional húngara.

Hoje na Hungria há dois estilos distintos de musica cigana: o folclórico rural (executado quase que exclusivamente pela comunidade cigana) e musica “restaurante” (tocada essencialmente para turistas). Na verdade a maior parte dos turistas na Hungria só ouvirá musica “restaurante”. Os restaurantes em Budapeste e por toda Hungria têm, normalmente, pequenas orquestras ciganas, consistindo de um vocalista, vários violinos, baixo e cimbalom (dulcímero húngaro cigano) todos vestidos a caráter para entreter os clientes.
Até os anos 80, a companhia estatal de disco, Hungaraton, só editava clássicos do Ocidente e musica cigana “restaurante”. Aproximadamente há 20 anos atrás, entretanto, decidiram dar uma oportunidade e gravar o maior conjunto de Roma Húngaro, Kalyi Jag, um grupo que executava musica folclórica cigana por toda a Hungria e em partes da vizinha Romênia. O disco foi imediatamente um sucesso e Kalyi Jag já gravou mais de doze álbuns, apresenta-se internacionalmente nas melhores salas de concerto e fundou um centro cultural, a fundação Kalyi jag, que ajudou a lançar as carreiras de mais de sessenta conjuntos Roma.

“La Ratjake Cheja” (As Garotas da noite)

Nós trouxemos muito dinheiro hoje
Para os ciganos
Acordem as meninas
O dia já esta raiando

Hei meninas da noite
Elas nunca dormem
Hei, elas estão na vila

Para conseguir dinheiro
Aconteceu uma noite
De minha esposa não vir para casa...
Não me conte mentiras
Você não dormiu ao meu lado

Deus, eu não sei o que fazer
Devo dançar ou beber
Eu nem sei dançar
Deus, eu não sei como viver

Eu bebi muito dinheiro
Eu me diverti com as ciganas
E bebi as centenas

Gustav Varga: vocais, guitarra: Joseph Balogh: vocais bandolim; Agnes Varga: vocais; e Joszef Nagy: latão de leite e baixo oral


3 LOYKO: THE RUSSIAN GYPSY BAND “JELEM” (RUSSIA)
Tradicional

O trio virtusosorusso Loyko executa musica cigana de uma forma classica, redefinindo os generos tradicionais e expandindo os limites de seus intrumentos.
Os violonistas Sergei Erdenko e Oleg Ponomarev eo o guitarrista Vadim Kolistskii foram treinados como clássicos em Moscou, mas nos últimos dez anos tem se dedicado a execução de musica folclórica cigana. Suas canções são do repertorio tradicional cigano mas com um toque mágico do Loyko.
Sergei e Oleg podem fazer qualquer coisa com seus violinos, desde estonteantes pizzicatos a lamentos ciganos apaixonados. Então, num piscar de olhos, eles transformam estas velhas canções ciganas com efeito de cantos de pássaros, sons de trens, trotes de cavalos, relinchos, choros e risos com seus violinos expressivos que literalmente falam. As vezes eles conseguem passar sons que parecem ter passado por alguma espécie de caixa de efeitos eletrônicos, canções estranhas e assustadoras produzidas por violinos acústicos.
Nesse ínterim, o violonista Koulitskii dá o ritmo a musica. Usando uma variedades de técnicas ele transforma seu violão num banjo, num alaúde e num bandolim antes de voltar ao som familiar do violão.
“Jelem” é uma das mais velhas canções ciganas. Ela fala de estradas sem fim e de pessoas que vêem o propósito de suas vidas somente no amor e na musica. “Em cada uma das comunidades ciganas no mundo você pode ouvir uma versão de Jelem”, explica Oleg Ponomarev do Loyko. “É essencialmente um hino cigano. Mas a versão de Loyko, como toda sua musica, é diferente de tudo que você encontrará pelo mundo, magicamente transformada com improvisações estonteantes, pizzicatos dinâmicos e sua marca registrada de violinos que falam com paixão”.

4 GERARD NUÑEZ E RAMÓN EL PORTUGUÉS “MAQUES DE PORRINA” (ESPANHA)

Gerard Nuñez, hoje, é considerado um dos melhores guitarristas flamencos. Ele toca confortavelmente flamenco tradicional com emoção profunda, numa velocidade espantosa, mas também toca jazz, musica latina e outros gêneros com facilidade.
Aqui, Nuñez faz parceria com o legendário vocalista flamenco de musica cigana Ramón “El Português”, nascido na Extramadura (região no leste da Espanha que faz fronteira com Portugal), Ramón Suárez Salazar adotou o apelido “El Português” é um mestre em tangos(um estilo flamenco vivo que não tem relação com o tango argentino) e jaleos, exemplos de cantos de Extremadura. Seu estilo de “dar um puxão violento e súbito na corda” é admirado pelos aficionados do flamenco no mundo todo.

“Marques de Porrina” (tangos) é uma colaboração apaixonada entre estas duas lendas flamencas.

5 KOCANI ORKESTRAR “THE ORIENT IS RED” (MACEDÔNIA)

Pegue dois trompetes, tres tubas, saxofone, clarinete e zurla (um oboé tradicional), acrescente percussão e o que você tem é a receita de uma banda cigana de metais dos Bálcãs. Bandas de metais poder ser encontradas por toda a região dos Bálcãs, como também na Romênia. Estas bandas se originaram no séc XIX tendo por base conjuntos militares turcos...
Destas bandas nehuma se compara a Naat Veliov`s Kocani Orkestrar. Da cidade de Kocani na Republica da Macedônia (parte da antiga Iugoslávia) vem esta semvagem e energética mistura dos ritmos balcânico, turco e búlgaro, tendo seu Maximo nos estonteantes solos de metais.

“The Orient is Red” baseia-se numa famosa canção da China comunista que tornou-se um sucesso pop na Iugoslávia de Tito.


6 YURI YUKANOV ENSEMBLE “KANA ME UVONIGJUM” (BULGARIA)
Musica e arranjo traditional

Não há um estilo associado mais intimamente ligado a cultura cigana que a musica para casamento.
Durante toda a primavera e verão em cada comunidade Roma na Europa Oriental, se for um final de semana e você ouvir musica, provavelmente você esta perto de uma festa de casamento. Yuri Yuinakov é o saxofonista mais conhecido da Bulgária. Ele creceu na cidade de Thrace onde começou a tocar o Kaval (uma flauta de madeira) com oito anos de idade. Logo ele trocou a flauta pelo Tupan (um tambor de duas cabeças) de forma que ele acompanhava seu pai e irmão (ambos tocadores de clarinete) nos casamentos.
Em 1986, Yunakov juntou-sea banda Trakija, de Ivo Papazov. O conjunto tornou-se legendário na Bulgária recebendo vários prêmios incluindo primeiro lugar no festival de musica instrumental da Bulgária.
Apesar de seu sucesso popular, Yuri foi repetidamente importunado, multado e duas vezes prisioneiro por tocar musica Roma e Turca, as quais eram proibidas na época como parte do programa socialista de eliminar elementos “estrangeiros” na musica Búlgara. Em 1994, Yunakov mudou-se para Nova York onde formou o Yuri Yunakov Ensemble.

7 ACQUARAGIA DROM “THESSALONIKI” (ITALY)

Como músicos ciganos em qualquer parte do mundo, Acquaragia Drom incorpora uma variedade de elementos locais a sua musica. Neste caso elementos das danças tradicionais italianas tais como o Saltarello, Tarantella e Sinti Tammuriatta são postos na mistura. Como aquelas de seus camaradas em todo o mundo, muitas de suas canções dizem respeito a casamentos “malucos” e caravanas ciganas.
Thessalonik é uma destas jornadas divertidas.

“Thessalonik”

Já faz tempo que estive na Macedônia.
Ai, que saudade!
Mas não das montanhas selvagens.
Eu só quero as tabernas de Thessalonik
E aquelas noites cheias de aroma de Narguile,
Do álcool na Retzina,
O forte tabaco Tzigarra.

8 KEMANÍ CEMAL “GET BERIYE BERIYE” (TURQUIA)

Esta canção é simplesmente de um álbum intitulado ‘Sulukule”; Rom Music of Istambul”. Sulukule não é uma banda, na verdade é um bairro em Istambul famoso por sua musica cigana. O álbum apresenta um dos mais famosos residentes de Sulukule, o violonista e compositor Kemani Cemal.

Aos setenta anos, Cemal (como muitos músicos ciganos) toca uma grande variedade de musicas incluindo a clássica, a folclórica, a musica para casamentos e dança do ventre, trabalhando para uma variedade de clientes para ganhar a vida. “Sulukule” apresenta dez faixas de canções folclóricas de dança e casamentos ciganos que refletem cinco séculos de influencia musical dos turcos e mostra instrumentos turcos tais como o Kanum (uma espécie de cítara) oud (um alaúde sem ornamentos do oriente médio o norte da África) e derbak (tambor de mão). As letras inteligentes do Cemal freqüentemente dizem respeito a temas típicos ciganos- pobreza e discrimanação- mas também contam historias engraçadas de casamentos. A magia do violino de Cemal é lindamente combinada com um trio de vozes profundas femininas. Esta canção, “Get Beriye Beriye”, é um conto cômico que diz respeito à experiência em tudo típica de um musico em um casamento cigano:

Ohhhhh!
Eu bebi muito
Ela me segurou
Ela me abraçou e me beijou
Minha bebida me queimou
Aquela bêbada me apalpou
Hayriye dos dentes de ouro
Hayiriye dos cabelos prateados
Ele ficou zangado
Venha cá
Hayriye dos dentes de ouro
Hayiriye dos cabelos prateados
Ele ficou zangado
Venha cá

Ohhhhh!
Agüente rapaz agüente
Eles estão brigando
Nesta encosta da montanha
(tiros)

Eles caíram e rolaram
Hayriye dos dentes de ouro
Hayiriye dos cabelos prateados
Ele ficou zangado
Venha cá
Com dentes de ouro Hayriye
Com cabelos de prata Hayriye
Ele ficou zangado
Venha cá.

9 TARAF DE HAIDOUKS “DUBA DUBA...SI HORA” (ROMENIA)
Tradicional

RA Romênia tem uma das maiores populações Roma do mundo, aproximadamente três milhões. Da vila de Clejani (cerca de 30 milhas de Bucareste, Romênia) vem este legendário conjunto de músicos ciganos.
Seu nome vem do herói Brigand Haidouk da Romênia feudal (Taraf simplesmente significa “grupo”). Os doze melhores membros do Taraf de Haidouk são essencialmente “The Roma All Stars” de Clejani. Em seu pais, membros do grupo tocam regularmente em casamentos e festivais em pequenos grupos de quatro ou cinco músicos, pois não é economicamente prático dividir o pequeno pagamento de tais eventos entre os componentes de uma grande banda. Em 1991, Stephane karo e Michel Winter trouxeram o conjunto completo Taraf de Haidouks, um grupo que abrange quatro gerações para gravar um álbum para o selo belga Crammed Discs.

Musicalmente, Taraf de Haidouks é simplesmente mesmíssimo, improvisando sobre velhas canções folclóricas, amor, viagem, casamentos e vida na prisão, quatro violinistas, três acordeonistas, vários vocalistas, um cimbalom e um baixo desafiam um ao outro em duelos musicais.

A maioria dos violinistas toca ou com arco ou pizzicato (puxando as cordas com os dedos). Taraf tem um terceiro método. Amarrada a quarta corda de um violino de lone esta uma outra corda longa. Com a mão direita ele puxa esta “quinta corda” ajustando o som ao longo do braço do violino com a mão esquerda. O resultado é um “violino falante”, uma serie de uivos hilários, rangidos e outros barulhos estranhos.

“Duba Duba...Si Hora” é uma dança e canção de prisão. Os ciganos da Romênia, como a maioria de vitimas de discriminação, são alvos comuns de perseguição pela policia local e sofrem punição seletiva.

10 KOLPAROV TRIO “GRASTORO” (RUSSIA)
traditional, arranged by Sacha Kolparov

A historia Roma na Rússia volta ao séc. XV. Os coro Roma, que datam também deste período, alcançaram seu ápice no séc. XIX e continuaram até a revolução de 1917. Sua música foi até descrita na literatura Russa de Pushkin e Tolstoy. Depois da revolução a música folclórica Roma tornou-se parte integrante da educação no Conservatório Nacional de Moscou.

Sacha (Alexandre) Kolparov, fundador do trio Kolparov, começou tocando violão de sete cordas como criança nos anos 50. este instrumento (com sua corda extra que permite linhas melódicas baixas) é um instrumento importante da comunidade Roma da Rússia desde o séc. XVIII.

“Grastoro”

Oh, você meu cavalinho cinzento
Oh, salve minha cabeça.

Oh junto a nossa casinha
As lindas meninas cantam.
Oh, você meu cavalinho baio,
Traga-me para casa.

Alexandre (Sacha) Kolparov: violão de 7 cordas e vocais principais; Nicolai (Anton) Grotski: violão de 6 cordas; Oleksandr SAvelev; backing vocals e percussão de dança

11 CASTA “LE DA LACHE DE MI” (ESPANHA)
J. A. Salazar, F. Salazar,L. Salazar

Muitos grupos de rumba cigana tocam música comercial que vende bem em mercados populares de musica. Os álbuns usualmente incluem um conjunto de rumbas alegres, atrativas e bem dançantes e outro conjunto de canções românticas. Muitas destas produções são baratas, sendo gravadas e distribuídas rapidamente. As primeiras gravações do CASTA eram assim até que os irmãos Carmona do conjunto Ketama começaram a arranjar e produzir as musicas do Casta. O grupo sofreu uma profunda transformação e seu som tornou-se aquele de um grupo Nuevo Flamenco.

Casta é formado de três irmãos ciganos; Lorenzo (Cano), Paco e Juan Antonio Salazar. Nascidos dentro de uma família de músicos, eles são sobrinhos do vocalista flamenco Porrina de Badajos e primos de Los Chunguitos e Azucar Moreno, dois dos mais populares grupos de rumba na Espanha.

Os irmãos Salazar passaram sua infância na pobreza, num barraco no bairro Vallecas de Madrid. Eles deixaram a escola cedo para ganhar a vidas nas ruas, onde aprenderam como sobreviver e como fazer musica para platéias animadas.

“Le Da Lache de Mi” (Ela tem vergonha de mim)

12 ENERGIPSY “CHICA BEM” (FRANÇA)
A. Russo – F. Grant

Durante os anos 50 e 60 um grupo de ciganos de Andaluzia na Espanha Meridional, emigrou para a região de Camargue na França Meridional, que eles chamam La Camarga. Eles levaram sua musica e língua e hoje muitos músicos tocam rumbas ciganas espanholas e flamenco. A banda Energipsy é de La Camarga.

O líder do grupo e principal violonista Francesco Grant foi musicalmente inspirado pelo grande violinista Manitas de Plata. Quando se encontraram pela primeira vez Manitas pediu a Grant para tocar, mas ele não tinha levado seu violão. Grant ficou embaraçado e nervoso, mas Manita deu a ele seu próprio violão, um belo Ramirez e disse com um sorriso “somente três pessoas tocaram neste violão: eu, Picasso e Charles Chaplin. Agora você tocará para Manitas!” o violonista emergente deu o melhor de si, enquanto Manitas silenciosa e atentamente observava seus dedos. Ele passou no teste e os dois violonistas passaram o resto da noite tocando e conversando.

Daquele momento em diante, Francesco passou a ser membro importante da grande família dos violonistas ciganos. Os vocalistas da Banda Energipsy e os violonistas Bastian Contreras, Melchor Muñoz e Jose Moreno são todos de origem cigana da Andaluzia. O clã Contreras estabeleceu-se na França e todos são dependentes da famosa família Montoya. Moreno é sobrinho de Manitas de Plata.

“Chica Bem” é um bom exemplo da nova “Gypsy Wave” tocada em todo o mundo. É uma fusão musical estimulante, um híbrido do flamenco espanhol melodias pop européias, rumba cigana e uma miríade de influencias de blues rock.

13 ANDO DROM “KANAK SZOMASZ” (HUNGRIA)
J. Zsigó, J. Balogh, A. Kovacs

Andro Drom é um grupo musical e também uma instituição social. Foi fundada em 1984 pelo assistente social e violonista Jeno Zsigó, um dos primeiros presidentes da Rom Foundation e do Hungarian Rom Parliament, como resposta as situações de privação vividas pela população cigana. “Na década passada, a discrimação voltou a Hungria com força total” esplica Zsigó. “Nós agora enfrentamos 90% de desemprego, nenhuma educação, nada. Nos anos 70, muitos de nós tínhamos acesso a moradia, nossas crianças iam para escola, havia uma rede de segurança. Hoje tudo mudou, e nós somos novamente os parias da sociedade”

O som de Andro Drom evoca as origens ciganas na Índia Setentrional. As vozes das duas jovens mulheres, Mônica Orvath e Mitsu Miczura, soam como indiana assim como a percussão. Eles usam um latão de leite de metal que soa como tabla. Na verdade as canções folclóricas do Rajastão incluindo “Pundela” são parte do repertorio de Andro Drom.

“Nossa musica é freqüentemente criticada na nossa própria comunidade” diz Jeno Zsigo. “Nós não tocamos musica “tradicional” dos anos 20 e 30. Nós utiizamos instrumentos tradicionais: violões, bandolim, um baixo a capela e como percussão uma colher de pau num jarro de, mas nós estamos sempre improvisando, experimentando e algumas pessoas não gostam disto. Veja você, nós não tocamos musica da maneira que nossos avós faziam”

‘Kanak Szomasz” (Quando eu era criancinha)

Quando eu era criança,
Eu usava um chapeuzinho verde,
Eu não tinha qualquer problema,
A sorte me favorecia,
Quando eu fui para a feira,
Comprei um chapeuzinho verde.
Os famintos receberão pão,
Serão felizes e saudáveis.

14 MUSAFIR “MUSAFIR” (INDIA)

O noroeste da Índia não é somente o lugar de nascimento da Roma, mas também o berço do talentoso musico Hameed Khan, um percussionista que pode ser considerado embaixador da cultura do Rajastão. Khan mudou-se para Paris em 1984 e começou a divulgar estas musicas em projetos culturais. Seu currículo inclui álbuns com Transglobal Underground, Natasha Atlas, Trio Eric Marchand, Najat Aatabou, Lkshmi Shankar, Thierry Robin e Lo Jô.

Em 1995, Khan formou o grupo Les Gitans de Rajas Than, que mais tarde veio a ser conhecido como Musafir uma palavra que significa Viagem, viajante ou povo nômade em Farsi (Pérsia). O seu triunfo foi mostrar e executar, pela primeira vez, a verdadeira musica e a arte do Rajastão para platéias Ocidentais. O conjunto inclui Muçulmanos, Hindus, Cristãos,Ciganos e não Ciganos que partilham de uma região comum: a musica.

Musafir (A viajem)

Esta é uma canção sobre a peregrinação anual a feira de Baba Ramdeu. Conta a historia de uma menina cigana que um encontro com seu amante antes que ele partisse para a feira.

(Traduzido do Tradicional Hindi)

Vamos nos encontrar novamente perto do lago de
Chauchans, os ricos lordes feudais, quando acontece a feira
Do Santo Ramdeu. Se você tiver dificuldades para ir a feira
Pegue este medalhão, que você pode vender se precisar
De dinheiro para chegar lá. Você atou um cordão preto
Em volta da minha cintura como um sinal
De seu compromisso comigo, e isto me ajuda enquanto
Você estiver fora e eu estiver pensando em você. Nós
Estamos despedindo um do outro em frente das bonitas
Mansões da cidade de Jodhana, lembrança da nossa separação.

Produzido por Dan Rosemberg

Dan Rosemberg escreve a respeito da musica e comanda
“Café Internacional” um programa de radio de alcance mundial
de musica/viagem/entrevistas que vai ao Ar na WCBN FM Ann Arbor (Michigan)
e WDTR FM Detroit. Café international

Tienda Cafe Con Che
Porque é Imprescindível Sonhar

Um comentário:

Guilherme Melca disse...

Cara, bom dia ....meu nome é Guilherme e meu mail é guilhermemelca@yahoo.com.br ..... estou atras desse cd gypsy road musical migration india to spain a mais de 5 anos.Me me enviar ele caso tenha.Grato e boa semana