quinta-feira, 19 de junho de 2008

JULIO IGLESIAS ENTRE O CÉU E O INFERNO ED RECORD 1981

JULIO IGLESIAS ENTRE O CÉU E O INFERNO
O lado humano de um mito: a autobiografia do cantor mais popular de nossos dias.
EDITORA RECORD
1981
Título original em Espanhol
ENTRE EL CIELO Y EL INFIERNO
Tradução: REINALDO GUARANY


Esta é a autobiografia de Julio Iglesias, o homem que tem tudo, até a solidão. Entre o Céu e o Inferno é a vida desconhecida até agora de um dos espanhóis mais universais. Um cantor que vendeu mais de 80 milhões de discos em 50 países, vencedor em todos os lugares, arrebentando os corações daqueles que o ouvem e que foi chamado a Hollywood para ser convertido "no novo Valentino". Recebe diariamente centenas de cartas de amor e também raro é o dia em que também não se encontram nos grandes jornais colunas inteiras a ele dedicadas. Enche estádios gigantescos e alimenta as almas solitárias...
Um homem poderoso, com um microfone na mão esquerda e a direita sobre a camisa de seda na altura do coração, Julio Iglesias tem o carisma, a força, a delicadeza, a fragilidade e a ternura do "gladiador da rosa". Esta cheio de histórias de amor...solidão. Deus não dá tudo a ninguém. Por isso em alguns momentos de rara nostalgía, abre os olhos hipnotizadores e, olhando a distância como quem se asfixia, respira fundo e pede: "só quero que gostem de mim".
Julio Iglesias nasceu em Madrid do dia 23 de setembro de 1943, filho de um conceituado médico ginecologista que foi recentemente vitima de um sequestro por parte dos guerrilheiros bascos, uma noticia que abalou o mundo.
O pequeno Julio fez todos os seus estudos em um colégio de padres na capital espanhola, e como membro de uma família influente em seu país ter-se-ia, provavelmente, tornado um advogado famoso.
Uma paixão,porém,falou mais alto o futebol, ao qual ele se dedicou com o maior entusiamo, chegando a destacar-se na posição de goleiro do juvenil do Real Madrid. Mas quando estava pronto para ser guindadoa às categorias superiores do grande clube, um acidente automobilístico, que lhe provocou uma paralisia total, truncou totalmente as suas ilusões esportistas.
O processo de recuperação fisica foi longo e penoso, uma vez terminado Julio Iglesias lançou-se a uma nova carreira, a de cantor, que o faria milionário e lhe valeria a consagração internacional.
A trajetória foi meteórica, pois aos 24 anos ja conquistava a Espanha ao ganhar o Festival de Benidorm com a canção La Vida Sigue Igual.
O sucesso local foi consolidado e logo ultrapassou fronteiras quando o jovem cantor representou o seu país no Festival Eurovisão, em 1970.
A parti daí sua popularidade cresceu em ritmo acelerado até chegar ao ponto que atingiu hoje, considerado um dos maiores intérpretes de música popular em todo o mundo e verdadeiro ídolo de milhões de pessoas.
Neste livro diz o grande cantor, ele escreveu sua música mais longa, mais terna e bela: sua própria vida!


As pessoas preferem sempre o perdedor
J.I


O "CONFESSOR" SE CONFESSA
Por Tico Medina
Sim, esta é uma história de uma lenda. Uma jovem lenda envolvente. A história de um homem de 38 anos, que, em certas ocasiões, é o homem mais jovem do mundo e, às vezes, o mais velho e cansado homem do mundo.
Se Cristo tivesse nascido outra vez, nos tempos que correm, certamente o teria feito cantando. Porque não existe veículo mais direto para se chegar do homem ao homem, pelo menos o homem jovem do homem jovem, do que o disco. O estudio de gravação do novo Cristo, do Messias do século atual, teria sido seu Sermão da Montanha. E esta é a história do homem que gravou mais discos e que mais vendeu nesse tempo que lhe coube viver.
- Se tivesse nascido no século da cavalaria - disse-me varias vezes - teria sido jogral ou cavaleiro. Interessa-me, fundamentalmente, o meu tempo.
Chama-se Julio Iglesias. Vendeu mais de 80 milhões de discos, hoje divididos pelo mundo inteiro.
O jornalista que assina esta matéria começou viver essa história com ele há anos, de um lado para o outro, entre a terra e o céu. Voando ou navegando. De Londres a Jerusalém, do Panamá ao México, do Chile a Melbourne. Os índios quíchuas me assombraram, em seus lugares longínguos, fechados a civilização, com suas camisetas que tinham um Julio Iglesias pintado no peito. Provocaram-me um profundo assombro aquelas três gerações de mulheres, a avó, a filha e a neta, chorando e aplaudindo com fervor o mesmo personagem sob os raios laser da noite no Madison Square Garden, em Nova York. Há alguns anos, vi claramente que seu "resplendor" estava aumentando. Eu escrevia então:
"É o homem mais só do mundo e, ao mesmo tempo, é o homem mais cercado pela glória. Parece de bambu, mas é de platina". Tínhamos de escrever sua história.
Às vezes ele dizia-me, talvez na madrugada:
- Prefiro eu escrevê-la, antes que outros façam.
E nós dois íamos alinhavando o mistério de sua magia, entre a pálida gardênia de Gardel e o perfil mítico de Rodolfo Valentino. Há alguns dias, muito poucos, gritaram-lhe no Chile, na noite dos pirilampos:
- Gardel...! Gardel...!
E era dito por aqueles que haviam visto Carlos antes que fosse somente um punhado de velas acessas no cemitério da Chacarita. Os que tinham chorado a morte daquele homem, que morreu carbonizado nos restos de um avião no aeroporto de Medellin, na Colômbia.
De Hollywood tinha chegado Terence Young, que acabara de escolhê-lo para interpretar o papel do grande amante de Sophia Loren em seu próximo filme.
- Prefiro ele do que Travolta. Sem dúvida alguma, é o novo Velentino.
Tem os olhos de carbúnculo e a força do míssil, se tivéssemos de falar na linguagem dos tempos atuais. Os franceses fizeram dele o seu ídolo. Os belgas compram mais discos do que a quantidades de belgas na face da Terra. Os italianos o idolatram. Toda a América nova que fala o espanhol o chora, o mima, o ama, o sente, o sofre. Toneladas de quilos de jornais falam dele todos os dias. Sim, é uma multinacional, mas com o coração de um passarinho. Veste-se como um toureiro para ir cantar na noite. Centenas de cartas de amor enchem todos os dias sua caixa de correio conhecidas. Conseguiu o milagre de fazer caminhar os paralíticos que sé queriam "vê-lo e tocá-lo".
Enche um estádio de futebol sem nenhum outro chamariz - ele, que é um dos homens mais poderosos deste tempo - a não ser a mão direita sobre a seda de sua camisa, na altura do coração. Tem o carisma, a força, a delicadeza, a fragilidade e a ternura do "gladiador da rosa".
Está cheio de história de amor, seus romances são diarios, mas não há em sua vida, se é que existe, mais do que un único nome de mulher. Está só.
Porque Deus não dá tudo a ninguém. Por isso em alguns momentos de rara nostalgía, abre os olhos hipnotizadores e, olhando a distância como quem se asfixia, respira fundo e pede:
- Só quero que gostem de mim.
- Mas é um eleito. Sabe muito bem que os deuses morrem jovens. Tendo tanto como tem, precisa de muito pouco para viver. Talvez um raio de sol constante. Somente isto. Mas para que?
Eu tinha que escrever tudo isso. E é por isso que trabalhava neste livro há tempos. Há anos.
"Você, não; eu"
Mas um dia, claramente aquele dia de primavera, entrou descalço, recém-sáido da cama - descalço como ele gosta de andar, os pés muito moreno, muito frágeis - no grande aposento de tapete branco, de frente para o mar, em sua casa de Indian Creek, na Flórida.
Disse-me:
- A história de minha vida não vai ser contada por você e sim por mim. E vai chamar-se Entre o Céu e o Inferno.
- E por que você?
- Porque quero ser absolutamente responsável por tudo que diga. E, além disso, porque tenho uma necessidade urgente, imperiosa, de contá-la.
- E por que você, agora?
- Porque gosto de cantar as letras das minhas canções mais do que qualquer outra. Quero que essas letras em que comunico coisas às pessoas sejam minhas. Se esse livro que devo escrever vai ser a letra mais importante da minha vida...por que outro e não eu?...
Acendeu um cigarro. Fuma muito pouco. Olhou o piano vazio sobre o qual havia uma foto de sua filha Chaveli, a menina que ele sente crescer na distância.
- E por que vai chamar-se Entre o Céu e o Inferno? - perguntei-lhe.
- Porque quando era criança, nos colégios que freqüentei, no seio de uma educação católica, diziam-me que, entre o céu, que era o mais desejado, e o inferno, que era o pior, o mais temido era o purgatório. E isto é o purgatório.
- Não, Julio, isso é a sua glória.
- Mentira. Isso é uma miragem do céu, que não é a mesma coisa. Isso é uma gaiola, de ouro, mas uma gaiola. Esta é uma prisão, uma prisão belíssima, mas de qualquer forma uma prisão. A cada dia que passa, vou levantar mais alto os muros que cercam minha solidão. A solidão é para mim a criação...Por outro lado, sei muito bem que o céu é o que tenho e talvez o inferno seja o que não tenho.
- Mas o que é que não tem?
- Há tantas coisas que não tenho!
- Por exemplo, Julio...por exemplo?
- Tantas coisas que não tenho...
No próprio purgatório
Há momentos em que se fecha em si mesmo. Está perto e está longe. Parece um jovem xeque árabe rodeado de pessoas com cimitarras de ouro e de prata, com huris que entram e saem vestidas com calças-bombachas de seda e turbantes coloridos...mas ele, sentado nas almofadas, está em outro lugar, longe, em sua Meca, Deus sabe onde.



Tienda Cafe Con Che
Porque é Imprescindível Sonhar

Um comentário:

maria disse...

julio iglesias quanto mais velho melhor.
ontem hoje e sempre sempre: JULIO IGLESIAS