sexta-feira, 17 de abril de 2009

DELSON GONÇALVES FERREIRA O ALEIJADINHO

DELSON GONÇALVES FERREIRA O ALEIJADINHO

Editora Comunicação

PREMIO CIDADE DE BELO HORIZONTE DE ENSAIO 1981

157 Pags

O ALEIJADINHO é uma presença viva. E, com o tempo e os estudos, diminui o mito e cresce sua grandiosa realidade. Por isto, este trabalho síntese de Delson Gonçalves Ferreira, ganhador do Prêmio Cidade de Belo Horizonte, outorgado pela prefeitura, via uma comissão julgadora de alto nível (Danilo Gomes, José Carlos Lisboa e Waldemar de Almeida Barbosa) é uma contribuição sumamente importante.

Bem escrito, resultado de paciente, longa e amorosa pesquisa nas boas fontes, esse trabalho como que resume, sintetiza quase tudo o que já se escreveu e publicou até hoje sobre o genial mulato Antônio Francisco Lisboa.

O livro indica vários pontos de partida: o estudo sobre o misticismo de Aleijadinho, os seus Cristos, de traços semelhantes ao Cristo do Santo Sudário, as interpretações textuais e contextuais dos latins, principalmente das cartelas dos Profetas, em que Bazin erra varias vezes, um retrato humano e sincero do escultor, tudo se apresenta como verdadeira OBRA ABERTA, um ensaio que deve ser interpretado e continuado.

Transcrevendo documentos e depoimentos, retificando dados, corrigindo o latim do notável Germain Bazin, rebatendo as afirmações de Augusto Lima Junior, que negara a existência do Aleijadinho, mostrando e comentando as criações do entalhador deformado, Delson Gonçalves Ferreira merece ter seu trabalho lido por todos os estudiosos deste país.

Vida e obra do Aleijadinho não são apenas uma afirmação grandiosa e sofrida de arte e transfiguração, da pedra e da madeira, em beleza. São ainda e mais afirmação de grandeza do MAZOMBO, que não era nem queria ser inferior aos estrangeiros, principalmente, aos portugueses colonizadores. Os mazombos foram capazes de criar uma arte brasileira. O que a inconfidência não pôde fazer, o Aleijadinho fez: impor o MAZOMBO, o produto brasileiro, feito, não da pureza do índio, mas da mestiçagem.

UM RETRATO

“Antônio Francisco era pardo escuro, tinha a voz forte, a fala arrebatada e o gênio agastado; a estatura era baixa, o corpo cheio e mal configurado, o rosto e a cabeça redondos e esta volumosa; o cabelo preto e anelado, o da barba cerrado e basto; a testa larga, o nariz regular e algum tanto pontiagudo, os beiços grossos, as orelhas grandes e o pescoço curto. Sabia ler e escrever, e não consta que tivesse freqüentado alguma outra aula além de primeiras letras, embora alguém julgue provável que tivesse freqüentado a de latim...”

“Possuía um escravo africano de nome Maurício, que trabalhava como entalhador e o acompanhava por toda a parte: era este quem adaptava os ferros e o macete às mãos imperfeitas do grande escultor, que desde esse tempo ficou sendo geralmente conhecido pelo apelido de - ALEIJADINHO”.

(Rodrigo José Ferreira Bretas – traços biográficos relativos ao finado Antônio Francisco Lisboa – apud Revista do Arquivo Público Mineiro – Imprensa Oficial de Minas Gerais – Ouro Preto  - 1896 – pág. 163-164)

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Um comentário:

jiçara martins fernandes dos santos disse...

ESTOU RELENDO O LIVRO A MIM DOADO ANTES DA PARTIDA DE PAPAI, SAUL ALVES MARTINS. AMANDO, NO SENTIDO MAIS AMPLO DO AMOR